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A história das coisas

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Pedagogia da Existência

Filosofia, Educação e Formação Humana

Por: Rafael e Silva Lima



Decifra-me ou devoro-te: o enigma pode matar-nos se não soubermos a resposta Imprimir E-mail
Escrito por Rafael Lima   
Ter, 09 de Fevereiro de 2010 14:00
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            As leituras obrigatórias dos mais importantes escritos de Martin Buber[1] (1878-1965) para escrever uma dissertação de Mestrado têm provocado em mim uma contínua reflexão acerca de alguns pontos que considero essenciais na vida de qualquer pessoa; dois deles tentarei descrever e desenvolver em duas colunas, começando nesta; uma tentativa acadêmica e humana de entender parte do grande mistério existencial: o encontro e a responsabilidade.

            Buber escreveu dezenas de livros e centenas de ensaios e conferências onde tratava de muitos temas: antropologia, filosofia, judaísmo, educação, política etc. Em todos eles permanece uma idéia central, que mobiliza e inspira todas as outras e sustenta a visão pessoal do autor sobre os grandes temas que o interessavam: o diálogo. Cabe-nos aqui alertar para a riqueza semântica e filosófica do termo diálogo no pensamento de Buber, diferente do esvaziamento do termo nos tempos modernos. A palavra diálogo sofreu, ao mesmo tempo, uma supervalorização, sendo recorrida como tábua de salvação para alguns problemas sociais: o diálogo como uma saída eficaz para a solução das guerras, dos mal-entendidos, das incompreensões, dos casamentos desfeitos (e em crise), das tragédias familiares etc, e sendo frequentemente usada, a palavra foi abusada, perdendo, assim, o seu verdadeiro significado.

            Buber entende o diálogo como uma exigência essencial do homem face à sua existência, isto é, para existir (e encontrar na vida um sentido verdadeiro, confiável e permanente) o homem prescinde de travar relações autênticas com o homem e o mundo. Entendamos, assim como Buber, a relação autêntica como uma presença honesta de mim diante do outro.

            As idéias desenvolvidas ao longo de todos os escritos de Buber provocam no leitor uma intuição curiosa. Considerando que um grande número de nós não se interessa pelas questões existenciais (como devemos agir para encontrar sentido e felicidade na vida, como enxergar em todas as coisas um elo unificador que é a própria razão de estarmos vivos etc), uma reflexão sincera e urgente sobre nossos atos e conquistas nem sempre (ou mesmo nunca) acontece e é frequentemente adiada. Como diz o ditado, o “silêncio provoca barulhos”. Contudo, uma vida sem avaliação não merece ser vivida, já afirmavam os filósofos da antiga Grécia. Viver sem exercer sobre a nossa vida o poder de projeção (agir segundo um projeto de vida cujo fim é a felicidade) é certamente uma vida fadada ao fracasso.

            O diálogo, segundo Buber, é a marca que evidencia uma relação autêntica entre os homens; o que promove entendimento e menos (e até mesmo nenhuma) incompreensão, o que coloca-nos face à vida despidos de qualquer máscara, como somos e, consequentemente, como, o tempo inteiro, preferimos não ser.

            Carregados pela onda ideológica que relaciona felicidade com o acúmulo de posses (materiais e espirituais), somos levados a um estado de completo “perdimento”; encontramo-nos perdidos, se é que isto seja possível. Buber propõe uma vida de sentido embasada na sinceridade e intenção de nossa palavra e ação: ser no mundo força humana de encontro com o outro e com o mundo de tal maneira que o encontro aconteça genuinamente.

            Enfim, teríamos muito a dizer sobre a categoria do diálogo em Buber, no entanto, intencionamos apenas expor a idéia e relevar o seu poder de atuação entre nós. O diálogo suscita alguns impasses na vida de muita gente, quase sempre devido à errônea compreensão do termo, de fato esvaziado na modernidade. Perguntemo-nos, neste momento, como é a qualidade de nossas relações (ou relacionamentos?) de amizade e familiares, qual a medida pessoal do envolvimento efetivo e afetivo nas palavras e ações diárias. As respostas poderão provocar surpresa, preocupação e urgência. Até a próxima, com a discussão sobre a responsabilidade!



[1] Pensador judeu; elaborou a Filosofia do Diálogo, corrente de pensamento cuja tese defendida sustenta-se na significação da existência humana através do encontro autêntico entre as pessoas e entre as pessoas e o mundo.

Última atualização em Qui, 20 de Maio de 2010 11:32
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Cabeça é pra pensar Imprimir E-mail
Escrito por Rafael Lima   
Qua, 20 de Janeiro de 2010 20:29

Todos devíamos ser militantes na sociedade. Não importasse a causa. Assumir a responsabilidade de si e do Outro nas mais variadas e distintas esferas do mundo. E acreditar que aquilo que não vai bem, pode melhorar com a nossa ajuda e participação. Entender que nem sempre os culpados são os outros da má prestação de serviços, das tragédias, da burocracia, do insucesso. Não há lugar fora de nós, não estamos separados do mundo em que vivemos, então por que atribuírmos quase sempre a culpa às instituições, à política, à escola, ao síndico e em quem passar pela calçada.

Militância política, social, ecológica, religiosa... nos faz melhores, nos aproxima de um sentido ampliado de nós mesmos, de nossa presença na Academia, no Bairro, no condomínio, na sociedade. E é um pouco disso que buscamos na vida. Essa tal felicidade que levamos uma vida inteira para alcançar encontra-se numa gama de atitudes que incluem o Outro, que respeitam e auxiliam o Outro. Alguém conhece casos de pessosas individualistas que se tornaram pessoas felizes? Eu não conheço.

Participar é preciso. Do grêmio estudantil, do Diretório Acadêmico, do grupo de estudo, da assembléia de condomínio, do partido político, do simpósio, do fórum... Se facilmente localizamos o problema, por que não facilmente apontar uma possível solução? Existem tantas formas de participação que escolher se torna difícil; mas essa escolha não trará malecífios, mas benefícios.

Finalmente, proponho uma avaliação de nossa presença concreta nos problemas do mundo.

Comentários(3)
Última atualização em Qua, 20 de Janeiro de 2010 20:36